O peixe-palhaço entra em cena!!! Matéria de capa da revista AQUAMAGAZINE...


MATÉRIA DE CAPA DA REVISTA AQUAMAGAZINE Nº 2. A MAIS COMPLETA REVISTA PARA AQUARISTAS.

 NEMO? O PEIXE-PALHAÇO ENTRA EM CENA.                          

 Respeitável Público

Não é à toa que o Peixe-Palhaço foi o escolhido para protagonizar o filme Procurando Nemo.
Os Palhaços são peixes marinhos conhecidos no mundo todo por terem sido extensamente pesquisados por biólogos atraídos por sua beleza encantadora e seu comportamento singular de interação com as anêmonas. São muitas vezes os primeiros a habitar os nossos aquários por serem considerados resistentes, de preço acessível, além de serem os mais “simpáticos”. Ao nos debruçarmos nos aquários da loja para escolher um peixinho, os Palhaços parecem chamar nossos olhares.
Eles se exibem, nos conquistando pela cor, pelo jeito que nadam, por parecerem estar namorando a gente com seu olhar cativante. A origem do nome “Palhaço” vem do seu colorido exuberante, do seu jeito engraçado de nadar ondulando a cauda e fazendo movimentos para cima e para baixo com a cabeça, quase que sem sair do lugar. É um verdadeiro artista de circo divertindo seus expectadores no picadeiro.
Para entendermos não só o Peixe-Palhaço, mas qualquer outro peixe em nossos aquários, temos que procurar conhecer seu ambiente natural. Devemos buscar respostas para as questões: Quais são as características da água onde ele vivia? Qual é o pH, a temperatura, a densidade, a quantidade de Amônia? Como é o local? Substrato de areia, cascalho, rochas, paredões? Seu ambiente são os costões rochosos, os recifes de corais, estuários marinhos, atóis, manguezais? Com que peixes convivem? Essas informações são fundamentais para sabermos o que devemos proporcionar a eles em nossos aquários.
Por exemplo, você sabe o que o Peixe-Palhaço come na natureza? Muitos aquaristas nunca se perguntaram isso, e essa é uma questão essencial para podermos conhecer o nosso hóspede aquariano. Na natureza, os peixes se alimentam principalmente de pequenos crustáceos, moluscos, outros peixes, algas e pequenos animais marinhos.

Ao procurar por comida, um Peixe-Palhaço certamente pensaria: “Passou pelo meu território, é muito grande, eu me escondo, é do meu tamanho, eu enfrento e espanto pra longe, cabe na minha boca, é comida!” É exatamente esse apetite variado que faz o Peixe-Palhaço resistente e o torna ideal para ser mantido em cativeiro. Contudo, como sua alimentação na natureza é altamente diversificada, rica e nutritiva, devemos proporcionar essa mesma qualidade nos nossos aquários. Variar a ração é a primeira coisa a se fazer. O aquarista que não varia a alimentação de seus peixes está convidando a doença a habitar em seu aquário. O peixe identifica seu alimento pela cor, formato, tamanho e como se move na água, logo é ideal
fornecer rações de diferentes formatos, cores e tamanhos.
Encontra-se facilmente no mercado rações em flocos, grãos, crisps, pellets, discs com diferentes bases nutricionais: proteínas, vegetais, algas, lipídios, ácidos graxos, carboidratos e vitaminas.
Entretanto, a recomendação do chef para o jantar especial de um Palhaço é o alimento vivo, como artêmias e náuplios de artêmias que vão incentivar o crescimento, o desenvolvimento da cor e a reprodução.

No aconchego da Anêmona
O Peixe-Palhaço precisa de uma Anêmonapara viver? Essa é outra pergunta freqüente dos aquaristas. Reposta: Não.Os Peixes-Palhaços vivem muito bem no aquário sem a presença de uma anêmona. Mas por que na natureza eles precisam? Os Peixes-Palhaços não são só predadores,eles também acabam fazendo o papel de presa e são devorados por peixes grandes, arraias e tubarões.
Suas cores chamativas e seu nadar peculiar aumentam as chances de serem abocanhados, pois atraem de longe a atenção dos predadores.
Como estratégia de proteção, os Peixes-Palhaços se especializaram em se refugiar nos tentáculos das anêmonas sem serem capturados por elas. A anêmona se alimenta de organismos que entram em contato com seus tentáculos, desde plâncton até peixes às vezes maiores que elas. Os Palhaços conseguem enganar as anêmonas, pois são capazes de modificar a composição de sua mucosa corporal produzindo uma mucosa idêntica à que a anêmona tem nos tentáculos.
Isso os tornam invisíveis à percepção da anêmona, que se transforma então em um esconderijo ideal. A mucosa idêntica do Palhaço e da anêmona inibe o estímulo que os tentáculos têm para detectar e capturar um peixe. Como no nosso aquário não temos predadores para ameaçar os Peixes-Palhaços, eles podem viver sua vida inteira e ainda se reproduzirem sem a necessidade de uma companheira cheia de tentáculos.

O aquário para o Palhaço
Um aquário para Palhaço é antes de tudo um aquário marinho, que nada mais é do que uma miniatura do mar inteiro. São dois terços do planeta representados em um cubo de vidro milhões de vezes menor. Esse miniecossistema necessita do mesmo sábio equilíbrio da natureza para ser um verdadeiro lar para os nossos apaixonantes animais.
Antes de escolher o peixe para habitá-lo, é imprescindível saber se o aquário está apropriado para recebê-lo.
Os cinco elementos fundamentais para o funcionamento de um aquário adequado devem estar assegurados: substrato (cascalho e rocha), temperatura (aquecedores e resfriadores), circulação, iluminação e filtragem (skimmer, elementos filtrantes). Estando tudo ok, agora só nos falta eleger os companheiros que daremos ao nosso Palhaço. Embora sejam superamistosos com outros peixes, podendo conviver em aquários com diversas espécies, peixes com bocas muito grandes devem ser evitados, como Lions, Halks, Moréias, Balistes e Groupers, para que nossos Palhaços não corram o risco de virarem comida.

Reprodução
Outro fato que torna os Peixes-Palhaços ainda mais espetaculares é a maneira como se formam os papais e as mamães nemos. Quando olhamos simplesmente para eles não sabemos diferenciar se é um Peixe-Palhaço macho ou fêmea, pois as diferenças são somente internas, diferente da maioria dos peixes de água doce e muitos outros de água salgada cuja cor e tamanho são superdiferentes. Entretanto, é fácil de serem formados os casais, pois são peixes hermafroditas, ou seja, possuem os dois sexos e têm capacidade de mudarem conforme o necessário. Isso só é possível porque os peixes, enquanto jovens, não definem o sexo, ou seja, eles nascem com capacidade para serem machos ou fêmeas. Se no local onde ele vive existir uma fêmea, e a fêmea é dominante (é quem comanda o grupo), todos os outros permanecerão machos até que aquela fêmea morra ou migre com um dos machos para outro lugar, aí então o macho maior do grupo se modifica em fêmea e assume a postura da antiga fêmea. O que significa que se colocarmos dois peixes juvenis juntos em um mesmo aquário, o maior deles se tornará fêmea e o outro macho.
Embora a reprodução de Peixes-Palhaços esteja começando só agora no Brasil, há muito tempo essa prática começou no mundo, mais precisamente, nos Estados Unidos, há cerca de 30 anos. Porém, essa prática ainda não se tornou fácil. O que limita a reprodução de peixes de água salgada em cativeiro é exatamente o tamanho do filhote, que se alimenta somente de organismos vivos e de tão pequeno que é, precisa se alimentar de organismos menores ainda.
Por outro lado, o fato de depositarem seus ovos em pequenas rochas, tocas, base de anêmonas e muitas vezes nos vidros dos nossos aquários, facilita a reprodução em cativeiro, ao contrário de peixes que liberam seus ovos diretamente na água, como é o caso do Hepatus (a Dory do filme do Nemo) o Yellow Tang, o Anjo Imperator.
Além disso, os Peixes-Palhaços possuem ovos relativamente grandes, se comparados com outras espécies, proporcionando o nascimento de filhotes grandes e logicamente mais capazes de se alimentarem de organismos maiores a aceitarem ração em menor tempo.

Levando um Palhaço para casa
Quando formos comprar um peixe novo para nosso aquário devemos levar em consideração o local a ser comprado. Uma loja de boa reputação é sempre a mais indicada. O ambiente (a bancada, a bateria) em que o peixe se encontra deve estar limpo e bem cuidado. O peixe deve apresentar, antes de tudo, cor forte e uniforme, já que todos os Palhaços são bem coloridos. Os olhos devem ser brilhantes e os peixes bem ativos, sem demonstração de medo. Peça para o vendedor alimentar o peixe e confira se ele está esperto e se alimentando.
Os Peixes-Palhaços são muito vorazes e não rejeitarão comida mesmo se tiverem sido alimentados dois minutos antes.
Examine o peixe de perto procurando pequenos pontosbrancos na superfície do corpo, cauda e nadadeiras, que indicam infestação de parasitas. Não compre nenhum peixe que esteja com suspeita de infestação, pois isso pode trazer muitas dores de cabeça no futuro.
Dê preferência aos peixes criados em cativeiro (tank raised), pois já estão acostumados ao aquário (nasceram nele) e às pessoas, e foram poupados de muitos estresses como o da captura e do transporte. Além de serem livres de parasitas internos e doenças, são sempre peixes jovens e mais fáceis de se reproduzirem.
Mas se você tem vontade de ter seu Palhaço e não tem olhar clínico, conhecimento técnico ou não é biólogo, ouça o instinto feminino, vale conselho de mãe, namorada, filha, sogra: “Leve aquele porque ele parece feliz”. Estar feliz é o aspecto que seu peixe deve apresentar no seu aquário. Lembre-se: Um peixe saudável é um peixe feliz.

Diferenças entre Percula e Ocelaris
Fisicamente existem pequenas diferenças entre o Percula e o Ocelaris. Geralmente o Ocelaris possui 11 espinhos dorsais, 13 a 17 raios na nadadeira dorsal e 17 raios nas nadadeiras peitorais, enquanto o Percula possui 9 ou 10 espinhos dorsais,14 a 17 raios na nadadeira dorsal e 16 raios nas nadadeiras peitorais, o que realmente define os dois como espécies diferentes. A coloração e o tamanho também são diferentes porém podem variar muito. Mas o Percula sempre possuirá uma quantidade de preto maior na superfície do seu corpo, em volta da faixa branca, mais notadamente no topo
da cabeça. Seu tamanho dificilmente passará dos 6,5 centímetros enquanto que o Ocelaris poderá chegar a 11 centímetros. A maneira mais fácil de identificá-los é comparando-os, porém dificilmente encontramos os dois no mesmo local, acontecendo que ao irmos para outra loja, ao olhar para o peixe perdemos a certeza do anterior.
(Os celulares com câmera foram feitos para isso, é uma boa opção).
Uma pegadinha para o Percula Quando juvenis, eles mantêm as nadadeiras dorsais (de cima do corpo) orientadas para a luz, e se mantêm em posição em relação a isso. Portanto, você pode brincar com eles mudando de posição a luz do aquário colocando para os lados, fazendo com que fiquem literalmente de cabeça para baixo.
E o Black Percula? E se eu te contar que ele não é Percula? Pois é, e nem uma outra espécie, é um Ocelaris, um irmão do Nemo. Porém com excesso de pigmento preto. É a mesma coisa com boi, cachorro ou rato, que pode ser preto ou branco, vai de acordo com a quantidade e capacidade de armazenar cor na superfície do corpo. É uma variedade rara encontrada na natureza que foi criada em cativeiro e que já chegou aos nossos aquários.

Localização
Os Peixes-Palhaços são encontrados por toda região oeste dos oceanos Índico e Pacífico. Concentrando maior quantidade de palhaços na face índica da Austrália, no arquipélago das Filipinas. O que influencia a distribuição dos peixes-Palhaços é principalmente a disponibilidade de anêmonas em conseqüência com a distribuição delas.
O fato de depositarem seus ovos em alguma superfície ao invés de liberarem diretamente na água, não permite uma maior chance de se espalharem. Habitar regiões distantes e diferentes acaba por ser mais difícil, diferente dos outros peixes, que tem as correntes marinhas como ajudantes para espalharem seus filhotes pelo oceano. Com base nisso podemos dividi-los em três grupos:
Aqueles que são altamente distribuídos (como é o caso do A. clarkii); os que habitam regiões limitadas (como é o caso do A.Percula); e aqueles que são endêmicos a específica ilha ou grupo de ilhas (como é o caso do A. mccullochi).

Papo de biólogo
Os peixes são os grupos de animais mais abundantes entre todos os vertebrados e já habitam o “nosso” planeta, (que deveríamos dizer deles) há 350 milhões de anos, na era Paleozóica. Desde essa época que eles vêm se modificando e diferenciando, proporcionando essa colorida abundância de vizinhos aquáticos. Para estudarmos essa imensidão de peixes e torna-lá lógica, fizemos diversas divisões: em filo, classe, ordem, família, gênero e espécie: Das 28 espécies de Peixes-Palhaços conhecidas, 27 pertencem ao gênero Amphiprion e uma ao Premnas, que é o maroom. O marrom se diferencia das demais espécies por possuir a baixo do olho, nas suas bochechas um “espinho” que protege e recobre suas brânqueas.
Diferente do que muitos de nós pensamos os Peixes-Palhaços vivem mais em aquários do que na natureza. Isso mesmo, no meio selvagem um Palhaço não consegue chegar aos 16 anos de vida, pois seria facilmente predado (afinal já seria um Palhaço idoso, avô de mais de 1.000 Nemos). E em nossos aquários efetuamos tal proesa apenas porque gostamos dele.
Portanto não devemos preocupar, sempre haverá espaço para um Percula, Ocelaris, Clarkii ou Tomate no nosso pedacinho de oceano urbano. Por esses motivos (e ainda existem outros mais), que os Peixes-Palhaços devem habitar os nossos aquários. Lembre-se: o seu aquário é único, pode e deve proporcionar aos peixes não só a qualidade de vida igual a da natureza, mas ainda uma situação maior. Pois o carinho e o cuidado que eles cativam na gente faz com que cuidemos do nosso aquário de maneira ímpar, nos mostrando que um aquário só é completo se tiver um astro do circo morando nele.
Os Peixes-Palhaços nunca estiveram em melhor época, são realmente estrelas de Holywood. Artigos, notícias, relatos, reportagens, paparazzos inventando coisas por aí acabam por nos confundir e às vezes tomamos medidas em nossos aquários com intenção de melhorar mas acabamos por danificar e as vezes matamos o nosso peixe. Por isso que eu indico livros. Os livros ainda são as melhores fontes de informação. Infelizmente qualquer um pode escrever um site sobre Peixe-Palhaço, porque é fácil!!! Mas publicar um livro é totalmente diferente, requer muito trabalho e pesquisa. Infelizmente ainda não temos tradução de livros sobre Peixes-Palhaços no Brasil, mas a linguagem escolhida pelos autores americanos são superfáceis e simples, não havendo necessidade de um curso avançado de Inglês.

                        Escrito por Alexandre Talarico & Cássio Ramos*
                Fotos de André Berriel

MATÉRIA DE CAPA DA REVISTA AQUAMAGAZINE Nº 2.

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